terça-feira, 21 de maio de 2013

Laboratório da UFRN investe em robótica educativa e ganha competição que vai beneficiar escolas da África.


Por Juliana Holanda
África: o continente que será beneficiado por um projeto de robótica educativa desenvolvido por pesquisadores do Laboratório NatalNet da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A equipe foi uma das vencedoras de uma competição internacional para construção de robôs educacionais com custo aproximado de U$ 10 (dez dólares), que serão usados para popularizar a tecnologia em escolas do continente africano.

Organizada pela Rede Africana de Robótica (AFRON, na sigla em inglês), o evento contou com a participação de importantes instituições estrangeiras, como a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts e a Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O robô premiado foi construído pelo professor do Instituto Metrópole Digital da UFRN Rafael Vidal Aroca, como parte de seu doutorado. “É muito gratificante saber que nosso trabalho pode aumentar o interesse dos jovens africanos pela ciência e, quem sabe, até motivá-los a trabalhar na área”, afirma.

Batizada de N-Bot, a estrutura hoje faz parte do acervo da AFRON e recentemente foi exibida em uma exposição no Museu de Tecnologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, juntamente com outros vencedores da competição.

O N-Bot é tão simples que pode ser construído por qualquer pessoa. “As crianças não terão problema em montar o aparelho. Isso irá auxiliá-los em outras disciplinas escolares, que podem se tornar mais atraentes para os estudantes com o uso da robótica”, conta Rafael Aroca.

O robô é comandado por sons. “Qualquer computador ou celular pode controlar o N-Bot. O que importa é a frequência de som que chega ao circuito do robô. Um simples apertar de tecla e o aparelho se move”, explica o professor.
Durante o doutorado em robótica educativa, Aroca fez uma pesquisa envolvendo mais de duzentos estudantes de seis universidades brasileiras. “Noventa e dois porcento dos entrevistados disseram que gastariam até R$ 50 para comprar seu próprio robô e 70% afirmaram que as disciplinas escolares seriam mais interessantes se fossem estudadas no contexto de robótica”, relata.
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Robô é comandado por sons. “Qualquer computador ou celular pode controlar o N-Bot. O que importa é a frequência de som que chega ao circuito do robô. Um simples apertar de tecla e o aparelho se move”, explica Rafael Aroca 
A popularização da tecnologia tem como objetivo aumentar o interesse dos jovens de todo o mundo pelo tema. “O setor tecnológico é prioritário para o crescimento de um país. A robótica precisa ser divulgada em toda parte, principalmente em países em desenvolvimento, como é o caso da maioria das nações africanas”, diz o pesquisador.

Para o professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN Aquiles Medeiros Filgueira Burlamaqui, um dos criadores do N-Bot, a robótica só vai crescer quando a tecnologia estiver sendo ensinada na base do sistema educacional. “O grande problema é a carência de profissionais no Brasil e no mundo. Até 2020, a robótica vai ser uma das áreas de pesquisa mais importantes do mundo e o número de profissionais precisa aumentar”, comenta.

Segundo o coordenador do NatalNet, Luiz Marcos Garcia Gonçalves, o laboratório investe em difusão científica há mais de uma década. O objetivo principal é exportar a tecnologia desenvolvida na UFRN, ajudando a quem tem interesse mas não tem condições de investir em hardwares de alto custo. “O prêmio é um reconhecimento de que estamos no caminho certo. O que fazemos aqui é visto como inovação não apenas no Brasil, mas em todo o mundo”, analisa.

Saiba mais sobre o N-Bot: http://www.natalnet.br/~aroca/afron/
 

                                                             Anastácia Vaz
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Equipe do Laboratório NaltaNet: Luiz Marcos Garcia Gonçalves (esquerda), Rafael Vidal Aroca (centro) e Aquiles Medeiros Filgueira Burlamaqui (direita) mostra robôs produzidos na UFRN.

Fonte: UFRN.br