segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O #ForaMicarla e como o discurso dominante constrói algozes!

Por Dennys Lucas, sociólogo e militante

(Comentário em resposta ao texto de Daniel Menezes sobre o #ForaMicarla publicado na Carta Potiguar)

Alguns pontos:

1- No #foramicarla não acredito em instrumentalização partidária-eleitoral, pelo contrário vejo é uma exaustão de práticas voluntaristas e autonomistas – mesmo entre os filiados a partidos políticos e outras organizações sempre presentes. O que vem dificultando a organização dos atos, principalmente, quando os fatos políticos não colaboram e a organicidade desses sujeitos em articulações mais sólidas é muito pouca, e seu imaginário não tem uma pauta bem clara do que se quer;
2 – As hierarquias podem ser confundidas com atitudes e escolhas de lideranças políticas e estudantil, mais especificamente, entretanto, quando muitas vezes não são, simplesmente, e sim organograma estruturado formativamente dos sujeitos, aleatoriamente. Não sendo particular a um grupo, os dos filiados. Inclusive, quando muitos desses organizados que panfletam estas estruturas mais horizontais nos atos. Portanto, acredito, que esteja tornando sua análise bastante seletiva, com certa tendência a reafirmar preconceito com viés ideológico a deslegitimar os sujeitos organizados e cumprir tarefa panfletária a desorganização.
3 – Também acho um rebaixamento analítico – além de reafirmação ideológica – afirmar que o esvaziamento tem se dado por atos de pessoas presentes atos, que estariam distanciado ou excluindo, mesmo sem a pretensão calculada, pessoas não-partidárias ou mesmo apartidárias. Não acho. As pessoas tem o seu dia-dia, tem em seu imaginário que terminará em pizza, ou que não terminará por seu ato, nem agora, nem no lugar marcado, logo o fato político não está feito na dimensão do que estava naqueles grandes atos, e no que se tornou a ocupação primavera sem borboleta, onde inclusive se precisou de muito jogo de cintura para esperar e construir fatos mobilizadores. Inclusive pensadas, organizadas por pessoas livres, entre elas sujeitos com vastas experiências em situações semelhantes (hierarquização), mas não meramente com trampolim político eleitoral, e sim como ferramenta, instrumento, conhecimento… sensibilidade alcançada na prática e no estudo enviezado para situação semelhantes. Profissionalização, talvez, mas não excludente, o que vi foi, inclusive, as pessoas presentes, no fazer coletivo, começarem a respeitar estas especificidades, mesmos os temerosos com os mais organizados partidariamente ou de organizações semelhantes.
4 – O processo de atomização não é uma especifidade da nossa era, não acredito, mas que pode está sendo acentuado em determinadas sociedades, enquanto em outras vem sofrendo questionamentos ou paralelismos devido a necessidade imperiosa das lutas, reivindicações, contrapontos ou organização e ajuda mútua: o sapo não pula por boniteza, mas por precisão.
5 – Com certeza temos necessidade de lidar melhor com as solidariedades positivas, até em mensurá-las também, mas não só os partidários, e sim boa parte da humanidade. Olhamos o mundo com nossas lentes e muitas vezes desprezamos a especifidade da lente, da balança do próximo ou distante. A centrífuga nos distanciam do ponto central.
6 – Para concluir, acredito que se utiliza de um descarte imenso do debate executado por vários desses atores – Paulo Freire, por exemplo, no PT – organizados que não agem só por voluntarismo, mas por acúmulo de debates e construção de crenças para o melhor agir. Logo, percebo uma tentativa de imputar grandeza negativa no resultado insatisfatório na mobilização dos atos a setores organizados, quando, muitas vezes, são justamente estes que se mantem militantemente prostrados em atividades para panfletar os desmandos da prefeitura de Natal. Ou conseguimos lidar melhor com isto, ou desmotivaremos estes de continuarem a lutar enquanto, por motivos outros que nos impedem de se fazer presente, e digo isto, da mesma maneira, como espero podermos lidar melhor com a “solidariedade positiva” que recebemos e muitas vezes não percebemos.

Fonte: Carta Potiguar