quinta-feira, 27 de junho de 2013

UNE faz grande marcha em Brasília por mais verbas para educação

O processo democrático de ocupar as ruas do país tem contado com a participação da UNE e dos estudantes organizados desde os primeiros atos. Para ampliar e dar continuidade aos protestos em direção ao fortalecimento da democracia e a conquista objetiva de mais direitos para a juventude, a entidade organizou uma grande manifestação em Brasília, nessa quinta-feira (27), reforçando as atuais pautas do movimento estudantil e exigindo a celeridade na aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) com a garantia de 10% do PIB do país investidos em educação pública. Os estudantes pressionaram também os parlamentares para que o projeto que destina os royalties do petróleo e 50% de todo o fundo social do Pré-sal para a educação, aprovado na madrugada do dia 26/06 na Câmara, não sofra retrocessos.

Por cerca de duas horas, quase dez mil estudantes caminharam com vigor e coloriram as ruas de Brasília, rumo ao Congresso Nacional. Antes mesmo de chegarem ao famoso Espelho d’água, ainda na fachada da Biblioteca Nacional que leva o nome de Honestino Guimarães, palavras de ordem como “o dinheiro do meu pai não é capim eu quero passe livre, sim”, já ecoavam por todo Planalto Central.

No gramado do Congresso, os estudantes continuaram reivindicando mais direitos para a juventude. A presidenta da UNE, Vic Barros, pedia para que os estudantes pressionassem ainda mais a pauta que foi vitoriosa na Câmara na última quarta-feira. O projeto em que União, Estados e municípios terão obrigatoriamente de investir 75% dos royalties e 50% do Fundo Social do Pré-sal em educação pública precisa ainda ser aprovado pelo Senado.

Lideranças do MST, UBES, CONTEE e CTB também estiveram presentes apoiando a manifestação e a luta dos estudantes. Raul Amorin, da coordenação do MST, reafirmou a importância da juventude se organizar para brigar por um PNE justo: “A juventude faz a história de uma nação. Vamos à luta! Essa luta é nossa!”, exclamou.

Estudantes de diversos estados também atravessaram o Brasil para chegar a Brasília. Acre, Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais marcaram presença com presidentes de entidades estaduais e diretores da UBES e UNE.


A grande marcha fechou com chave de ouro, com o tradicional mergulho no Espelho d água do Congresso Nacional. A presidenta da UNE, Vic Barros, e a presidenta da UBES, Manuela Braga, em protesto irreverente contra o projeto da “cura gay”, ainda fizeram um grande BEIJAÇO, com direito a selinho, incentivando outros jovens a lutarem pela liberdade sexual e a presença de um Estado laico.

Para a UNE, a “cura gay” é uma incitação à homofobia e um insulto à dignidade humana. “A orientação sexual é uma das expressões da condição do sujeito e sua livre manifestação é direito humano fundamental, que deve ser respeitado. Não há cura onde não existe doença”, ratificou Vic Barros. A UNE também pediu durante a manifestação a ampliação de financiamentos para universitários, reforma política, passe livre estudantil e democratização dos meios de comunicação.

Pressão no Congresso

Após a passeata, um grupo de estudantes formado por diretores da UNE e da UBES participaram de reunião com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e uma comissão suprapartidária de senadores para pressionar a votação do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a destinação de 10% do PIB para o setor.

“Viemos exigir celeridade na tramitação dos projetos que defendemos há anos. Calheiros disse que na próxima semana coloca o PNE em votação”, assegurou Vic Barros. Segundo a presidenta, os estudantes também exigiram prioridade na aprovação do passe livre para estudantes e da reforma política.

“Todos esses pedidos são fruto das nossas lutas nas ruas”, pontuou Vic.

Entenda o PNE

O Plano Nacional de Educação (PNE) é uma grande oportunidade de conquistar políticas que superem a dívida histórica do Brasil, democratizando radicalmente o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade. Enviado ao Congresso Nacional pelo Poder Executivo em dezembro de 2010, o Projeto de Lei nº 8035/2010 ainda não foi aprovado e está, atualmente, nas mãos do Senado. Um dos principais entraves para sua aprovação é, exatamente, a parte do texto que explicita o valor do PIB a ser destinado para a educação.

Estudantes de diversos estados também atravessaram o Brasil para chegar a Brasília. Acre, Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais marcaram presença com presidentes de entidades estaduais e diretores da UBES e UNE.

Patrícia Blumberg e Rafael Minoro