quinta-feira, 13 de junho de 2013

Grupo no Facebook faz sucesso entre gays e simpatizantes da UFRN

O Boys UFRN tem sido um excelente ambiente de discussão sobre práticas sexuais e ponto de encontro para novas descobertas


Fonte: Blog do Allyson Moreira

Com o objetivo de oferecer um espaço virtual para compartilhamento de experiências de relacionamentos e discussão sobre sexualidade, um jovem estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte criou no mês passado o Boys UFRN, grupo fechado no Facebook para homossexuais e simpatizantes que estudam na Universidade.

Descontraído e plural, o Boys UFRN é composto atualmente por setenta e cinco membros, entre 18 e 32 anos, dos mais diferentes cursos. De acordo com o moderador, D.M., 18, o grupo é um espaço discreto para jovens discutirem principalmente sobre o universo gay.

“No Dia das Mães um amigo meu postou no grupo da UFRN no Facebook a foto de um casal gay com filho, ressaltando a existência de um novo arranjo familiar. A partir de então, muitos comentários preconceituosos foram deflagrados, gerando polêmica no entorno da discussão de gênero”, lembra. Foi nesse momento que ele percebeu a necessidade de criar um grupo onde os homossexuais e simpatizantes indignados com o acontecido pudessem interagir e dar continuidade ao debate.

O grupo também tem sido um espaço propício para muita paquera e azaração. O estudante de teatro Rodrigo Silbat, 24, diz já conhecer vinte e seis membros dos setenta e cinco que compõem o Boys UFRN. Para ele, o grupo é um espaço excelente para conhecer novos amigos e até mesmo para namorar.

O ator Roberto Silbat em espetáculo sobre relacionamento amorosos no ambiente virtual 
(Foto: Arquivo Pessoal)  

“Organizamos o primeiro encontro dos membros do Boys em um bar da cidade. Conversamos muito, despudoradamente, sobre diversos assuntos. Compartilhamos fotos e comemoramos as ideias em comum dando sorrisos, beijos, abraços e brindando as coincidências. É sempre bom estar com pessoas que experimentam a liberdade de ser o que querem”, conta.

Rodrigo Silbat é de uma família tradicional que não tem o hábito de conversar abertamente sobre sexo. Gay assumido, ele desde muito cedo utilizou internet para pesquisar sobre sexualidade e buscar entender sobre o que estava sentindo no período em que se descobria sexualmente. Foi a partir dessa experiência que ele teve a ideia de criar um espetáculo de performance e dança contemporânea sobre o assunto, o “Quer TC?”, contando histórias de pessoas que procuram relacionamentos amorosos no ambiente virtual.  Do Boys, Silbat não descarta a possibilidade de surgir um relacionamento mais sério.  “O amor é um sentimento que pode brotar na lama, em qualquer lugar”, poetiza.

O universitário Rodrigo Platão é viciado em mídias sociais e está no Boys para conhecer gente nova

Já universitário Rodrigo Platão, 21, acessa as mídias sociais diariamente para manter contato com os colegas mais próximos e até para conhecer pessoas de outros países. Entrou no Boys sem saber inicialmente sobre o que se tratava. Só depois que as notificações começaram a chegar foi perceber e, a partir daí, interagir com os membros, com que diz ter um bom relacionamento. “Eles são muito comunicativos e bacanas, mas pessoalmente conheço apenas um”, conta. Quanto a possibilidade de se envolver um pouco mais com algum membro do grupo, Platão diz não ter interesse. “Conversamos muito no Facebook e até no WhatsApp (aplicativo para envio de mensagens gratuitas no celular), mas minhas intenções são outras”, explica.

No Boys UFRN somente membros podem ver o grupo e o que nele está sento publicado. Essa restrição é fundamental para manter o sigilo dos membros que ainda não assumiram publicamente a orientação sexual. Para fazer parte o interessado deve ser necessariamente homem e conhecer alguém do Boys que possa adicioná-lo.

Seja para debater os principais assuntos do dia, conhecer novas amizades, compartilhar histórias e procurar a cara metade, o Boys UFRN é um espaço plural e sem restrições. Nele cabe todo mundo, só o preconceito que fica de fora.