domingo, 17 de março de 2013

Os estudantes da UFRN e a questão cultural

Eles são estudantes da UFRN e desenvolvem iniciativas no âmbito cultural. Cedric Mathews é estudante de Rádio e TV e membro da Banda Medida Provisória, a que abriu a última calourada do DCE; Cecília Oliveira é estudante de Dança e Denilson David cursa Teatro. O blog do DCE conversou com os três para saber a opinião desses estudantes sobre os espaços culturais da universidade e da própria cidade. Confira!

Cedric Mathews com a sua banda, Medida Provisória
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte possui uma gama de cursos voltados à produção cultural. São esses: Teatro, Dança, Artes Visuais, Música e Design. Além desses espaços acadêmicos,  há iniciativas produzidas por estudantes de vários cursos, como foi possível constatar, a título de exemplo, através da Calourada do DCE, cujas bandas contavam com vários integrantes da universidade. Há, ainda, “projetos de extensão que buscam aprofundar as construções acadêmicas e dar oportunidade a outras pessoas que não fazem parte do contexto universitário de estarem inseridas nos projetos”, lembra o estudante Denilson David. Ele cita as bandas musicais e os grupos de comédia stand up para mencionar a diversidade que existe para além do Departamento de Artes.

No entanto, para o estudante de Teatro da UFRN, “falta incentivo, investimento e sensibilidade por parte dos órgãos competentes para perceber que a arte está sendo sufocada dentro da universidade, tornando extremamente importante que a relação entre o mundo acadêmico e a sociedade, do ponto de vista da difusão cultural, seja feita com qualidade”, afirmou.

Na avaliação de Cecília, do curso de Dança, o problema da questão cultural na UFRN não está no quesito estrutura. “Não reclamo dessa questão, não que talvez não haja problema, mas a minha atenção, neste momento, se transfere para a burocracia pela qual temos que passar para termos acesso tanto ao espaço, como às tecnologias existentes nele”.

Ela e Cedric Mathews compartilham a opinião de que há pouca divulgação das iniciativas por toda a universidade. Para a estudante de Dança, "os meios virtuais de comunicação e divulgação substituíram, por exemplo, os murais da universidade". Já Cedric considera que raramente vê "algum evento cultural na UFRN que tenha uma boa divulgação, isso se eu vir a divulgação, porque, às vezes, o evento vem e eu nem me dou conta. Quando eu vejo, já foi".

Deart, Escola de Música e a Universidade

Perguntado sobre a interferência provocada pelo isolamento do DEART e da Escola de Música em relação ao conjunto do campus, Denilson avaliou que o “isolamento físico é o menor dos problemas diante da ausência de iniciativas, de eventos, espaços e festivais para que a propagação do que se produz efetivamente ocorra”. Ele reivindica uma política “em conformidade com os artistas da universidade voltada para que as barreiras da arte sejam rompidas para que essa chegue aos demais recantos da UFRN”.

Denilson, em Capitães de Areia. Teatro
Alberto Maranhão
Cecília opina que tais barreiras não são coincidências, mas uma ação deliberada de “quem planejou a estrutura física da nossa universidade”. Para ela, a separação da arte das demais relações acadêmicas da universidade era uma “coisa oportuna para eles”. “Pessoas críticas, que indagavam a realidade de um lado, e pessoas que provavelmente serviriam ao sistema, de outro. Esse pensamento trouxe consequências muito significativas nos dias de hoje. Como mudar isso? Primeiro, na diminuição do preconceito contra os artistas, por suas roupas, pelos seus dread, pelas tatuagens, etc. Segundo, alguma mobilização que tragam as pessoas para o nosso departamento, para que assistam às nossas apresentações, produções, eventos, etc. Por fim, a circulação de nossa arte por toda a UFRN”, finalizou.

A Arte e a Cidade

Para conciliar a produção universitária com a cidade, constituindo iniciativas que interliguem uma à outra, Denilson David sugere resolver "a fata de divulgação e de espaços para a exposição dentro da própria universidade, o que seria, então, uma maneira de articular e fortalecer para levar o que é produzido para outros pontos da cidade". Há também, "os projetos de extensão que já fazem essa ligação entre a UFRN e a cidade, mas é perceptível que é preciso avançar ainda mais".

Cecília, em apresentação
Cecília vê essa relação como um desafio, mas que é possível de ser resolvida. “Quando entramos na universidade, esquecemos um pouco das coisas externas. No entanto, existem projetos de extensão que propõem exatamente essa relação com a comunidade. No curso de Dança, todos os projetos de extensão são abertos às pessoas externas a ela. Grupos de dança, capoeira, perfomance, contato e improvisação, entre outros, são abertos para quem quiser participar”. Cecília conclui afirmando que “ir até à comunidade seria uma boa, mas muitas vezes elas não têm estrutura para nos receber. Trazer pessoas de fora para conversar, incentivar um pouco o desprendimento da universidade e a divulgação, que é, ainda, a alma do negócio”.