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O DESSERVIÇO DO TRANSPORTE PÚBLICO. Por Luís Pereira, aluno de Ciências Sociais.


O serviço de transporte público de Natal sempre foi precário. Ônibus de má qualidade, desconfortáveis, com anos de uso e muito caro. Esse serviço que é uma concessão do município, nunca recebeu dos poderes públicos a atenção merecida, ou seja, é feita a concessão a empresários, que em momento algum pensam em prestar um serviço de boa qualidade à população, apenas pensam nos lucros. 

Na contramão da história, empresários e autoridades públicas, não conseguem enxergar que uma cidade como Natal, cujo perímetro urbano é um dos menores do país, poderia servir de modelo neste tipo de serviço, tendo em vista, questões como maior economia, menos poluição, maior fluidez no trânsito, sem superlotação que daria inveja a qualquer visitante. Natalenses, muitas vezes sem condições financeiras, aventuram-se na compra de um carro financiado, para fugir dos ônibus que leva-nos ao estresse e quiçá a outros problemas mais graves de saúde, além dos problemas financeiros. Enquanto se discute a questão do transporte público como uma alternativa econômica e ambientalmente correta, aqui o transporte público está atrelado a uma visão empresarial retrógrada, na qual impera o conceito de quanto pior melhor.

O sistema ferroviário não atende a demanda. Os transportes alternativos e de vans também não, além de muitas vezes ser operados por pessoas sem a menor qualificação. Enquanto isso, os empresários de ônibus monopolizam o sistema e impõe seus métodos arcaicos de serviços e administração.

Agora assistimos a uma velada orquestração de “vingança maligna”, dos empresários de transportes públicos de ônibus de Natal, contra os estudantes.

Os estudantes unidos à população natalense, encamparam no ano passado uma luta, que resultou em grande vitória, contra o abusivo aumento dos preços das passagens. Não conformados com a derrota, começaram as medidas que atualmente, estão trazendo sérios prejuízos para todos os usuários de transportes coletivos da cidade.

O movimento contra o aumento da passagem do ónibus(Revolta do Busão) ocorreu entre os meses julho/agosto 2012; Populares, estudantes e outros cidadãos que estavam nas ruas foram rechaçados pela polícia, e a ação violenta, que gera mais violência, levou a pessoas em um momento de impulsão e revolta, a atos nunca antes visto na cidade, como a queima de um ônibus. O sentimento de pacificidade da população, que é uma construção social que procura negar as lutas populares, demonstrou seus limites e serve de aviso a autoridades e empresários que vivem como velhos senhores do período do Brasil colônia.

O fato é que após a vitória popular, os usuários começaram a ser atingidos pelos empresários de transportes coletivos, com a conivência das autoridades, com medidas como:

Suspensão das linhas 03, 28 e 45 em setembro do ano passado. Estas linhas tinham em comum o fato de transportar um grande número de estudantes, que se destinam ao Campus da UFRN, e IFRN; logo depois, modificação do itinerário da linha 48, que há anos circulava pela Campus da mesma UFRN; mais recentemente modificação do itinerário da linha 66 via Campus. Além disso, nota-se uma diminuição do número de ônibus adaptados para pessoas com necessidades especiais, e pior, os poucos que circulam pelo Campus, inclusive o raríssimo circular, parece não passarem por manutenção alguma, tendo em vista que, quase sempre apresentam defeito na hora que precisam ser utilizados.

Essa situação caótica, de falta de respeito à pessoa humana, de descaso com o serviço de transporte público, exige uma providência urgente dos órgãos responsáveis e das instituições envolvidas, como a própria UFRN, que corre o risco de ver seus alunos apresentarem prejuízos acadêmicos em virtude do desgaste causado pela demora nas paradas, atraso na chegada ao horário de aula, no retorno para casa e para outras atividades.

Luis Pereira
Aluno do Curso de Ciências Sociais da UFRN.

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