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Somos vândalos, quem não é?


Por Tânia Lima

Três Estados Nordestinos ainda não fizeram sua revolução para retirar a velha guarda dos coronéis do poder. O primeiro deles, lá no início do mapa, é o Maranhão, depois vem o Rio Grande do Norte; em seguida: Alagoas. No Maranhão, a família Sarney é dona dos jornais, controla o que sai e entra na imprensa local. No Rio Grande do Norte, os Maias. Os Alves e os Rosados controlam os jornais que nem chegam a ser jornais, pois são pequenos adendos, são tabloides anônimos. Em Alagoas, a família Collor faz justiça com as próprias mãos naquela lei do dente por dente, olho por olho: Uma só lei, um só rei, uma única fé.

O que é importante perceber é que os demais Estados Nordestinos conseguiram modificar um pouco o quadro desse retrocesso. Na última eleição para “ Governador”, a Paraíba retirou o coronel Zé Maranhão do Poder. No Ceará, Tasso Jereissati, uma espécie de coronel vestido com camisas listadas de um empresariado que, sobreviveu por muito tempo sob as tutelas da velha arena com cara de PSDB, saiu pela porta de trás na contagem de votos para o “Senado Federal” . Em Pernambuco, a velha política de opressão do senhor Marcos Maciel teve que baixar guardar para o destronamento da Casa Grande.

O que vimos em Natal com toda essa revolta estudantil ou o que presenciamos nesses últimos meses é simplesmente um recado que não quer mais calar. O recado é bem dado às autoridades locais: olhem vocês aí que estão governando o poder de minissaia, nós estamos aqui cansados de séculos de silêncio, de servidão e de subordinação.

A classe desfavorecida juntamente com uma parcela mínima da classe média estão se organizando em segredo desde o ano passado, naquela tomada do prédio e tudo em nome do “Fora Micarla”. Em verdade, o que está por trás de ações como aconteceram há um ano atrás e hoje é bem mais amplo do que imagina nossa vã alegria, mas também mais devastador do que imagina os meros curiosos atiçados por um espírito político retrogrado, quando o assunto do dia é tomar o poder. E enquanto as mídias locais atestam como juízo de valor um recado em nome dos seus patrões que, são os regimes totalitários coronelistas, de outro lado essas mesmas mídias também estão simplesmente afirmando as velhas frases suadas pelo tempo, pelos processos de colonialismo que tentaram silenciar o povo Nordestino. Mídias que aí estão como produto da dinastia integralista dos anos 30.

Agora, a história se repete, mas o tom de intimidação não silencia. E mesmo tentando nos fazer recuar, não cedemos às chantagens de uma corruptela despreparada para negociar. Prendem em nome da ordem, dizem que somos "Vândalos", "Selvagem", "Bárbaros", "Primitivos" em nome da Democracia, mas nada disso consegue mais calar. Todo discurso é ideológico, sabemos. O discurso tenta nos fazer acreditar que somos menores, perigosos e marginais. Aquele mesmo recado que os militares enviavam em toda América Latina para os estudantes em pleno maio de 68.

O que temos de fazer é continuar nos manifestando em nome de séculos de coronelismo, ditando suas normas, em nome na velha opressão. É como bem diz um poeta à frente daqui: “Mudam-se os tempos/ mudam-se as vontades” [ Camões].

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