terça-feira, 5 de junho de 2012

Carta Aberta do CAAC - Direito UFRN.

Carta Aberta de repúdio ao Governo do Estado em razão do falecimento de Vitória Ester Pereira de Andrade.

À Dra. Pediatra Rosalba,

A Saúde fez mais uma vítima. Matou mais uma criança.

No sábado (26/06), às 17h17, Vitória Ester Pereira de Andrade, de apenas 01 ano e 03 meses, veio a óbito no Hospital Walfredo Gurgel. 

Causa: Falta de leitos médicos. (Falta de profissionais; Falta de investimento do Estado na Saúde; Falta de cumprimento da Constituição e do Estatuto da Criança e do Adolescente; faltas e faltas...).

Por sete exaustivas horas, o pai, junto à filha, aguardou nos corredores do Hospital Sandra Celeste apenas o que se é legítimo esperar: tratamento médico.

Deparou-se com o descaso estatal e a ausência de políticas públicas efetivas para atender à sua filha e aos demais que aguardavam atendimento e atenção.

Quando, enfim, foi transferida de ambulância para o Hospital Walfredo Gurgel – maior hospital público do RN, referência estadual no atendimento de urgências e emergências para todo o estado - Vitória se encontrava sem vida, após sete horas sem nenhuma medida ser tomada.

O Governo do Estado fez mais uma vítima. Uma vida cujo futuro foi subtraído na raiz da derradeira infância. Trucidado na espera de um corredor.

A falta de leitos enfatiza o caos da Saúde Pública, ressaltando sua evidente contradição: A Saúde mata, ao invés de curar.

Um recente levantamento realizado pelo Ministério Público constatou que 201 pessoas morreram no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel em 40 dias – 40 delas por falta de leitos (Diário de Natal, 03 de Junho de 2012).

40 famílias encontraram, portanto, o mesmo fim para a espera neste hospital: a busca por leitos hospitalares transferiu-se para a procura por leitos nos cemitérios. 

Esta é uma ofensa cotidiana à dignidade dos cidadãos norte-riograndenses. Até quando?

É diante das injustiças que nos afirmamos. Não é possível conformar-se diante do óbito de uma criança e do pesar de um pai, de uma família – de 40 famílias. Quantas outras mortes não foram noticiadas? Quantas mais ainda serão?

Não é possível silenciar e aceitar estas mortes como normais, como naturais. 

É difícil defender, apenas com palavras, a vida.

Por isto, convidamos todos e todas a participar do Ato pela Saúde Pública que será realizado no dia 14 de Junho, às 08 horas, em frente à Secretaria de Saúde do Estado.

Para que não se esqueça. 

Para que não se repita. 

Pois até que tudo cesse, nós não cessaremos."

Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti/Direito - UFRN
Programa de Educação em Direitos Humanos Lições de Cidadania. 
Centro de Referência em Direitos Humanos