sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pesquisa Certus/Nominuto camufla desaprovação de Rosalba Ciarlini

A pesquisa Certus/Nominuto, veiculada pelo referido portal eletrônico, utilizou de uma estratégia de apresentação dos números da pesquisa para camuflar desaprovação de Rosalba Ciarlini. No momento da pesquisa de opinião em que se avalia a gestão de Micarla, Rosalba e Dilma, apenas a governadora foi sondada a partir de um critério específico. A diferença, aparentemente sutil, joga uma cortina de fumaça sobre os dados.

Conforme os quadros abaixo retirados do citado jornal eletrônico, só a governadora é avaliada a partir da pergunta de escala (Ótimo, Bom, Regular, Ruim e Péssimo), enquanto que a prefeita Micarla e Dilma passam pelo crivo da indagação sobre as suas aprovações (Aprova X Desaprova). A estratégia não é nova. Por isso eu não acredito em ingenuidade.

Se o leitor prestar atenção, verá que a análise pela via da escala gradativa, conforme apenas a governadora foi submetida, tende a “suavizar” a desaprovação da gestão. É que na pergunta em que se pede ao entrevistado para caracterizar o governo como Ótimo, Bom, Regular, Ruim ou Péssimo, muitos pesquisados procuram o posicionamento “regular”, um jeito mais “fácil” de não se envolver em querelas políticas e se livrar da indagação.

A medida acaba gerando verniz de menor desaprovação popular, principalmente quando o número de Rosalba, no modo como foi publicizado, é demonstrado de maneira conjunta com o de Micarla de Sousa, que sofre de grande desaprovação popular e foi avaliado, conforme pergunta mais adequada (Aprova X Desaprova). Na comparação, a diferença parece ser maior do que de fato é.
Porém, que fique claro. A resposta “regular”, na verdade, é considerada desaprovação. Isto porque, quando novamente questionado, o eleitor que responde “regular”, quase como via de regra, tende a desaprovar o gestor.

Para não acharem que eu fico no “achismo”, apresento abaixo farta literatura especializada endossando e demonstrando o que eu afirmo:

Métodos de pesquisa em survey, Earl Babbie

Erros em pesquisas eleitorais, Carlos Alberto Almeida

Cabeça de eleitor, Carlos Alberto Almeida

Crítica metodológica às pesquisas eleitorais no Brasil, Cristiano Ferraz

Pesquisa de opinião e eleitoral: teoria e prática, de minha autoria

PS. Confesso que não havia investigado a pesquisa como costumo fazer sempre que vejo uma publicada. É que os dados fundamentais da pesquisa eleitoral, em sua parte estimulada, incharam determinados candidatos e emagreceram outros. Depois que eu vi os números iniciais, nem prossegui. Perdi o tesão.

PS.2. A incongruência foi inicialmente constatada pelo blogdoprimo.com.br, alimentado pelo ex-vereador Renato Dantas. Foi lá que vi a maquiagem, já notada pelo blogueiro.