quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Carta aberta à comunidade acadêmica do Coletivo de Mulheres da UFRN

(Como resultado da intervenção por fraldários realizada no dia 20 de outubro na CIENTEC, construímos uma carta direcionada a toda comunidade acadêmica mostrando a leitura que fazemos do contexto em que se insere essa reinvindicação).


A UFRN vem passando por uma fase de grande crescimento, sua estrutura vem sendo aprimorada e ampliada, mais cursos vêm sendo criados, o número de vagas para alunos vêm aumentando a cada semestre e o quadro de professores efetivos vem crescendo. Isso se dá no âmbito de um amplo programa de desenvolvimento econômico e social encampado pelo governo federal, no qual as universidades públicas também se inserem. Esse novo contexto vem trazendo novas possibilidades e novos desafios. Grupos sociais excluídos, que há pouco tempo não tinham acesso à universidade hoje conseguem entrar de forma mais massiva, as mulheres, historicamente inferiorizadas no mundo do trabalho e da ciência, são hoje maioria nas universidades brasileiras. Porém, os desafios para permanecer e efetivar os estudos continua, e se não considerarmos esses limites seremos coniventes com uma universidade que historicamente reproduz as desigualdades sociais.

A UFRN como espaço público, se coloca como um ponto fundamental de formulação de conhecimento, mas também como espaço de construção de novas e mais justas formas de convivência, de participação política, de trabalho, de arte, de cultura e etc.. Não existe hoje em nenhum campus da UFRN um banheiro adaptado para as mães e gestantes, que as permita amamentar e trocar seus filhos e filhas num ambiente limpo e saudável. Não há espaço para as mães, os pais e as crianças permanecerem em nenhum setor da universidade, restando à maioria apenas as cantinas, os corredores e as salas de aula. Por isso, no último dia 20 de outubro, enquanto se dava a CIENTEC, realizamos uma intervenção com o questionamento: “Onde estão os fraldários da universidade?”, com a intenção de conscientizar e mobilizar o público acadêmico para urgência dessa infra-estrutura. Também não se tem nenhuma residência estudantil que comporte estudantes com filhos e possibilite a permanência das estudantes do interior. Além disso, temos uma escola de educação infantil que reserva apenas quatro vagas para filhos de estudantes e uma creche situada no campus da saúde, com vaga para apenas trinta crianças, divididas entre filhas (os) de estudantes, servidores e comunidade externa.

A prova dessa necessidade vem sendo demonstrada em importantes relatórios. No último estudo feito nas universidades federais brasileiras constatou-se que 10% dos estudantes têm filhos. O Coletivo de Mulheres realizou um questionário em quatro setores da universidade e constatou que num total de 80 mulheres entrevistadas, 15% são mães e entre estas, 58% possuem renda mensal de até um salário mínimo. Entretanto, na UFRN nada tem sido feito para modificar esse quadro. O orçamento de assistência estudantil não garante o auxílio necessário para os pais e mães estudantes e nem oferece a estrutura física para corresponder a essas necessidades.

É pensando nisso, que nós mulheres, estudantes organizadas no Coletivo de Mulheres da UFRN, viemos manifestar nossa indignação, compartilhar nossos questionamentos e exigir uma assistência estudantil sensível e compromissada com os estudantes que têm filhas (os). Portanto, exigimos a garantia no planejamento e no orçamento da universidade, espaço para políticas de assistência para as mães e pais estudantes, possibilitando-os seu livre e pleno desenvolvimento enquanto estudantes universitários.

Coletivo de Mulheres da UFRN


"Eu quero creche, quero fraldário.
Sou estudante universitária!"

"Eu vou trocar eu vou trocar, me diga como é que eu faço.
Eu vou trocar eu vou trocar a fralda do meu bebê!"

"Cadê? Cadê? Cadê o fraldário pro meu bebê?
Cadê? Cadê? Cadê o fraldário pro meu bebê?
Cadê? Cadê? Cadê? Cadê o fraldário pro meu bebê?"