terça-feira, 23 de agosto de 2011

Número de Vítimas da Ditadura Chilena pode chegar a 40mil

O número oficial de vítimas da ditadura militar chilena (1973-1990), sob o comando de Augusto Pinochet, subiu para 40.280 pessoas, entre assassinados, desaparecidos e torturados. O dado consta no novo relatório oficial da Comissão Assessora para a Qualificação de Presos, Desaparecidos, Executados Políticos e Vítimas de Prisão Política e Tortura (mais conhecida como Comissão Valech), entregue na quinta-feira ao presidente Sebastián Piñera. Ao número estimado em 2003, de 27.200 vítimas, o novo relatório acrescentou mais 9.800 casos de torturas e 30 de desaparições e execuções no período da ditadura. Para chegar ao resultado, a pesquisa se baseou em dados do Exército, polícia, prisões, imprensa, organismos de direitos humanos e comissões anteriores.

O considerável aumento na cifra poderia ter sido ainda maior, pois, segundo a diretora da comissão, María Luisa Sepúlveda, em entrevista a Cubadebate, durante os dois anos de investigação foram ouvidas 32 mil pessoas que declararam sentir-se vítimas da ditadura militar chilena.
Ela explica que o fato de a comissão ter reconhecido apenas nove mil casos não quer dizer que as outras quase 23 mil pessoas não tenham sido vitimadas. "Isso não significa que algumas delas não foram vítimas; na ocasião não se pôde estabelecer o motivo político", esclarece.

"Algumas se sentiam vítimas por haver sofrido uma invasão de domicílio violenta; ou eram filhos de pessoas que foram presas; ou participaram em manifestações públicas reprimidas que não chegaram a tribunais; ou eram recrutas que foram vítimas de maus tratos; ou simplesmente não se pôde demonstrar os fatos", detalha. 

Segundo o Grupo de Familiares de Presos e Desaparecidos, o número de vítimas é maior do que o resultado das investigações, podendo chegar a 100 mil, ou seja, mais que o dobro do reconhecido até agora. Frente a isto, organizações sociais afirmaram que comissões de investigação deveriam ser permanentes, para facilitar que mais casos de violações venham à tona.

Com o reconhecimento das violações, "autoridades chilenas baixarão decreto de reparação e as pessoas passarão a receber uma pensão mensal de 256 dólares e benefícios em saúde e educação, como já é feito com as outras vítimas", diz Maria Luisa. O valor também é criticado por ativistas de direitos humanos, que o consideram baixo.

Em 1991, um ano após o fim da ditadura militar, a Comissão de Verdade e Reconciliação foi instalada para investigar as violações aos direitos humanos cometidas contra militantes de esquerda. À época, foram contabilizadas apenas 2.200 mortes atribuídas ao Estado. Havia ainda muito medo de denunciar os abusos, segundo organizações sociais. Já em 2003 a Comissão Valech foi instalada pela primeira vez e chegou ao número de 27.200 vítimas.