quinta-feira, 28 de abril de 2011

Carta aos Estudantes Afetados pelo REUNI

Caros Colegas Estudantes Universitários,

Saudações,

É com sentimento de certa insatisfação e inquietação que nós, do Centro Acadêmico Livre do Curso de Tecnologias da Informação e Comunicação, estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina, em um Campus que fica em uma cidade do interior do Estado, chamada Araranguá. Campus este criado, na UFSC, juntamente com mais dois que também ficam no interior do Estado, um na cidade de Curitibanos e outro na cidade de Joinville, por ocasião da aderência da Universidade ao Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI).

A UFSC aderiu a esse projeto do Governo e instituiu novos Campi em meio a incontáveis resistências internas, colocaram-o em ação em 2009 com abertura de três novos cursos, um em cada campus e entre eles o curso que representamos. Portanto, o programa está em (nada pleno) funcionamento e estamos dentro dele afetados mais que diretamente por ele, somos total DEPENDENTES de seu sucesso.

Todavia, ao que parece, “sucesso” é uma palavra que raramente estará em léxicos ligados ao REUNI, a não ser, claro, para negá-lo. Pois a realidade que se observa não é nem um pouco satisfatória, é notório o descaso que criou-se com a Educação Superior neste país, haja vista a desorganizada e irresponsável forma como foi aplicado este programa.

A partir de agora tomaremos por base o Campus do qual fazemos parte, para elucidarmos nossas colocações anteriores.

Aqui em Araranguá, no campus da UFSC, temos quatro cursos apenas:
- Tecnologias da Informação e Comunicação - Matutino e Noturno (2009);
- Engenharia de Energia - Noturno (2010);
- Engenharia da Computação - Noturno(2011);
- Fisioterapia - Diurno (2011);

Totalizando, até o presente momento, por volta de 400 estudantes regulares e até o final do ano aproximadamente 550 estudantes. Que podem contar com apenas: 7 salas de
aula, 3 laboratórios de informática (em funcionamento) e 1 auditório com capacidade para, no máximo, 70 pessoas. Temos ainda 24 docentes, porém alguns com pouca atuação.

Toda essa conjuntura mal-organizada está gerando os seguintes problemas:
- Salas de Aula super-lotadas;
- Aulas no Auditório por falta de Espaço Físico;
- Disciplinas presenciais tornando-se semi-presenciais por falta de professores, negando de vez a possível qualidade no ensino, tão pregada nas diretrizes do REUNI;
- Professores atuando e ministrando aulas fora de sua especialização, em detrimento do conteúdo apresentado;
- Implantação de cursos sem estrutura:

> Não existe nenhum tipo de laboratório para o curso de Fisioterapia;
> Não existe laboratório de hardware para o curso de Engenharia da Computação;
- Surgem problemas estruturais por visível falta de organização e planejamento, tais como:
> Não temos direito de almoçar nem jantar em finais de semana e feriados por que não está previsto no contrato do nosso RU, que é terceirizado por sinal;
> Não há nem se quer projeto, quanto mais previsão, para que tenhamos o direito à Moradia

Universitária assegurado aos alunos com baixo índice sócio-econômico, atestando contra a política de permanência discente na Universidade;
- Biblioteca mal-estruturada com acervo reduzido de LIVROS e PERIÓDICOS (temos duas estantes de livros para suprir as necessidades de cerca de 400 alunos);
- Transporte para estudantes que tem que utilizar laboratórios terceirizados;
- Estacionamento precário, não há organização de vagas, péssimas condições de acesso.
- Entre outras mazelas das quais padecemos.

Enfim, a todos que também estão descontentes com as condições oferecidas pelo REUNI pedimos, caros colegas UNAM-SE conosco nesta mesma causa com o intuito de reivindicarmos as soluções necessárias. Portanto, pedimos que tomem como base este manifesto e enumerem problemas e necessidades também enfrentadas por vocês em seus Campi. Aguardamos, o mais brevemente possível, seu contato.

SE O PROBLEMA É NOSSO, BUSQUEMOS JUNTOS A SOLUÇÃO!