domingo, 6 de maio de 2012

"Juventude brasileira refuta mito elitista na educação"

Ao receber título de doutor honoris causa das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Federal Fluminense (UFF), Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma defesa das cotas e do Programa Universidade Para Todos (Prouni) como políticas capazes de ampliar oportunidades sem abrir mão da qualidade. A reportagem é de Rodrigo Otávio, direto do Rio de Janeiro.

Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de outorga de título de Doutor Honoris Causa das universidades públicas fluminenses ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Roberto Stuckert Filho/Presidência da Republica)


Rio de Janeiro - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, sexta-feira (4), a recente decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) em validar a política de cotas raciais para ingresso em instituições de ensino superior em todo o país. A constitucionalidade das cotas havia sido questionada por ação judicial do DEM. “Tenho certeza que a política de cotas raciais que o Supremo referendou por unanimidade contribuirá para tornar mais justo o acesso ao ensino superior”, disse o ex-presidente ao elencar inúmeros avanços da educação no país nos últimos dez anos, durante a cerimônia em que recebeu o título de doutor honoris causa das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio), Federal Fluminense (UFF), Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

A entrega conjunta dos títulos foi realizada no teatro João Caetano e também contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff, que não discursou, do ministro da educação, Aloízio Mercadante (PT), e do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), entre outros. Ao ouvir o nome do governador anunciado para compor a mesa da solenidade, a primeira reação da plateia foi de vaias. Passados alguns segundos, o governador apareceu em cena acompanhado da presidenta. A calorosa recepção dirigida a Dilma aos poucos silenciou as vaias endereçadas a Cabral, que passou a cerimônia toda sem dizer uma única palavra.

O governador está em situação desconfortável desde que o deputado federal Anthony Garotinho (PR) divulgou fotos que explicitam sua forte ligação com Fernando Cavendish, presidente afastado do conselho de administração da construtora Delta, um dos principais alvos da CPI da Câmara e do Senado Federal que investiga as atividades do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Em seu discurso, Lula colocou a política de cotas raciais nas universidades como mais um ingrediente da visão de educação como alicerce para a construção de igualdade social praticada nos governos petistas. “Sempre insisti que o dinheiro público aplicado na educação é um investimento, e não um gasto. E posso dizer que investimos muito, mais do que triplicamos o orçamento em educação, que saltou de R$ 17 bilhões em 2003 para R$ 65 bilhões em 2010”, quantificou ele, também enumerando a criação de 14 novas universidades federais, 126 extensões universitárias e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salto de seis para 12 milhões de brasileiros com ensino superior completo em 10 anos.

Ainda nos números, Lula lembrou que mais de um milhão de jovens de baixa renda foram admitidos no ensino superior através do Programa Universidade Para Todos (Prouni). “E essa oportunidade não foi desperdiçada. Os jovens do Prouni têm se destacado em quase todas as áreas, liderando exames do MEC e outras avaliações. Ou seja, bastou uma chance e a juventude brasileira refutou com firmeza o mito elitista de que a qualidade é incompatível com a ampliação de oportunidades”, disse o ex-presidente antes de ser ovacionado pela plateia que lotou o teatro.

A cerimônia serviu como uma espécie de reencontro do ex-presidente com o público carioca após o fim de seu tratamento contra o câncer de laringe. Bem disposto, apesar de ainda fragilizado fisicamente após a perda de mais de 10 quilos, Lula trocou a fala de improviso pela leitura de seu discurso, “para poupar a garganta”, mas não se furtou a interagir com a plateia em diversos momentos.

Apesar do clima de descontração, a solenidade também abrigou cobranças e críticas; seja na quebra de protocolo da mestre de cerimônias, a atriz Camila Pitanga, ao se dirigir nominalmente a presidenta Dilma Rousseff pedindo que ela vete a aprovação do novo Código Florestal, ou no discurso do reitor da UFF, Roberto Salles, que cobrou do governo federal o repasse de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação e dos governos municipal e estadual do Rio o pagamento do piso mínimo de R$ 1.400 previsto pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para os professores.