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Ato Denuncia Política de Intolerância - Estudantes retomam a luta pela democracia na USP

 

“É muito estranho precisar defender a democracia numa casa pública e de educação. Será que não aprendemos nada?”, questionou, referindo-se aos atos da Reitoria de perseguição aos movimentos, o professor César Minto, vice-presidente da Adusp, durante ato público realizado em 16/3 que reuniu estudantes, docentes e funcionários. “A Adusp defende que as instituições públicas de caráter educacional devem se pautar por uma forma organizativa e por um funcionamento eminentemente democráticos, que sejam exemplares para o conjunto da sociedade”, destacou.

Daniel Garcia 

Estudantes retomam a luta pela democracia na USP 

O professor Jorge Souto-Maior, da Faculdade de Direito, criticou a posição assumida pela gestão Rodas “de levar adiante, a ferro e fogo, seu projeto de implementar, na Universidade, um ensino voltado à lógica de mercado, alimentando uma lógica autoritária”. Ele atacou o “argumento de legalidade” usado pela Reitoria, “que ao mesmo tempo não se preocupa em respeitar a Constituição, no que tange à obrigação de contratação de pessoas unicamente por intermédio de concurso público e à eliminação das fundações privadas que atuam com a marca da USP, para angariar ganhos à satisfação de interesses particulares”. 

Souto-Maior também denunciou “a política de intolerância, sob o pretexto da segurança” e a formação de um banco de dados para a troca de informações sobre ocorrências no campus, que, “se pode ter um fim meramente organizacional, pode [também] servir à lógica policialesca que, de fato, acabou se institucionalizando por intermédio de um fatídico serviço de espionagem”. 


Retrógrada

Magno de Carvalho, do Sintusp, observou que a USP é a “universidade pública mais antidemocrática e retrógrada do Brasil” e que seu Estatuto “é do pior momento da Ditadura Militar”. Denunciou que o Proad, criado pela Reitoria, é um programa destinado a dispensar muitos funcionários, como declarado pelo próprio diretor do RH: “O projeto é terceirizar tudo e eliminar uma massa enorme de funcionários. Por isso precisam destruir a organização dos trabalhadores”. 

Camila Viviane e Thiago Aguiar, membros da comissão gestora do DCE, defenderam a unidade do movimento contra a gestão Rodas. “Segundo na lista, ele foi escolhido por Serra, está aqui para implantar o projeto do governo”, disse Camila. “A USP é um feudo, está a serviço de uma casta de administradores. Vão gastar R$ 240 milhões na construção de um centro de convenções, embora haja salas de aula caindo aos pedaços”, disse Thiago. 

O professor Henrique Carneiro, da FFLCH, destacou o papel das polícias militares como força de repressão aos movimentos sociais em todo o Brasil. “A PM é o legado da Ditadura Militar. Só existe no mundo uma polícia igual, com as mesmas características: os carabineiros, no Chile. A PM foi cúmplice do regime militar e se orgulha disso”. Ele citou diversos exemplos de atuação truculenta e antidemocrática das PMs, como o espancamento de um aluno negro no DCE, a desocupação da Reitoria, a reintegração de posse do Pinheirinho e o ataque a estudantes em Recife e Teresina (neste, um aluno atingido por um bala de borracha ficou cego). “O povo brasileiro não suporta mais ser perseguido pelas PMs nas periferias pobres deste país”, disse Carneiro.


Tolerância zero

Givanildo, representante da Associação da Comunidade São Remo, falou em “política de tolerância zero” do governo estadual e da prefeitura, associada aos interesses do mercado imobiliário. A Reitoria anunciou, recentemente, um projeto de “reurbanização” da área da São Remo. Ele considera que o projeto da Ditadura Militar foi vencedor e que hoje há uma política de extermínio de jovens e negros, sendo o Brasil o terceiro país que mais encarcera no mundo.

O professor Adrián Fanjul, da FFLCH, criticou a edição 56 do USP Destaques, pelas ironias existentes no texto da Reitoria, quando sugere, como resposta às críticas ao convênio firmado com a Secretaria de Segurança Pública, emendar a Constituição Federal ou “parte do território nacional se proclamar novo Estado soberano”. Ele lembrou que diversas personalidades ligadas ao próprio Estado, como a desembargadora Kenarik Boujikian e o ouvidor da PM, Gonzaga Dantas, pronunciaram-se contra o convênio que aumenta a presença da PM no campus do Butantã. Quanto à afirmação de que os órgãos colegiados encontram-se em pleno funcionamento, Adrian, que é representante docente, relatou que em reunião do Conselho Universitário representantes de congregações e os representantes discentes propuseram discutir o convênio, no entanto o reitor encerrou os trabalhos.

“Não imaginava participar de ato semelhante”, manifestou o professor Ricardo Musse, também da FFLCH. Citando a boa posição da USP em um novo ranking de universidades, comparou: “Se fizessem um ranking de democracia, de gestão democrática, a USP estaria entre as primeiras, às avessas. Estamos sendo dirigidos por alguém que odeia a Universidade”. Lembrou que Rodas foi declarado persona non grata pela própria unidade de que foi diretor. “Devemos centrar nossos esforços para mostrar a todos que o reitor não hesita em chegar à grande imprensa e difamar seus estudantes, funcionários e docentes”.

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